Em meio à polêmica, população pede retomada das obras do VLT

23/06/2019 - 13:41 hs

Gazeta Digital- Thalyta Amaral

As obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) voltaram a ser foco de debate no meio político de Mato Grosso. De um lado, o governo do Estado afirma que não há interesse em finalizar a construção do modal e do outro, prefeito e vereadores da Capital brigam para que o que foi gasto não seja em vão e possa ser utilizado. O  foi às ruas ouvir a população sobre o dilema do VLT e encontrou pedidos para que a obra seja terminada e o modal comece a funcionar.

Trama complicada

Novela que se desenrola há 7 anos, o VLT foi pensado para agilizar o trânsito em Cuiabá e Várzea Grande, com promessa de que estaria rodando até a Copa do Mundo de 2014, em que Cuiabá foi uma das subsedes. A obra nunca foi concluída e está paralisada desde dezembro de 2014. Desde então foram descobertos desvios de recursos, pagamento de propina e uso de dinheiro público para pagar dívidas de campanha.

O último capítulo dessa novela foi o rompimento, dessa vez definitivo, do contrato entre o Estado e o consórcio VLT, que foi homologado pela Justiça, tendo em vista não só as fraudes, mas também o não cumprimento do contrato, ou seja, foi pago mais do que foi executado.

Esperança de alguns

Apesar de tantos problemas, quem depende do transporte público não vê a hora para o VLT começar a circular e diminuir as horas perdidas no trânsito todos os dias para ir e voltar ao trabalho. É o caso do desossador José Ricardo Cardoso Pereira, 49. Para o trabalhador, a população só tem a ganhar com a finalização das obras.

“Certeza que tem que terminar, é melhor para todo mundo. Querem destruir tudo o que foi feito. Mas o certo é terminar tudo, não pela metade. Fazer o trecho da Fernando Corrêa até o Atacadão”, afirma José Ricardo.

No time dos que torcem pelo VLT também está a estudante Lohranna Johainson Camargo de Almeida, 17. “Deve voltar sim, vai ser melhor para nós, vai ser mais rápido para circular. Essa obra já dura há tanto tempo, é bem melhor terminar. A gente só tem que ter paciência até lá”.

Otimistas, mas nem tanto

Mesmo entre os que torcem pela retomada das obras, há uma certa desconfiança de que haja vontade política para a finalização do modal. “Destruíram as coisas, agora tem que continuar. Deixaram a cidade em péssimas condições, mas tem que voltar, já está há 5 anos parado. Agora depende do pessoal [políticos] fazer acontecer”, defende o vigilante Roberto Alves, 59.

Entre os desconfiados está Edmilson dos Anjos, 55. O porteiro afirma que a maioria da população quer a volta das obras, mas que é difícil acreditar que um dia o VLT circule. “Seria bom se o VLT saísse, é uma injustiça ficar desse jeito. Mas com esse governo que temos, tenho 120% de certeza que não vai sair. Quero que dê certo, só não acredito”.

Os desistentes

Mesmo com uma grande parte da população torcendo pela volta das obras, há quem defenda que o governo desista de vez do modal e invista em questões mais importantes. É a tese da auxiliar administrativa Carmem Lúcia de Souza, 56, que não vê vantagem em se gastar ainda mais nas obras do VLT.

“Eu acho que deve desistir. Já gastou o que tinha que gastar e ainda trouxe transtornos para o trânsito. Já replantaram grama em vários lugares, é melhor largar mão e colocar dinheiro na educação e na saúde, que estão precisando”, enfatiza a auxiliar administrativa.

Sem decisão política

Por enquanto, os debates não trouxeram nenhum resultado e o Estado ainda não anunciou o destino do VLT. O governador Mauro Mendes (DEM) teria pedido um prazo para analisar a questão após o rompimento definitivo do contrato e ainda não se posicionou sobre o caso. Até lá, o VLT pode ser visto apenas nas cicatrizes que as obras trouxeram para Cuiabá e Várzea Grande, como a retirada das árvores da avenida do CPA e os trilhos enferrujados da avenida da FEB.