MPE abre investigação para apurar uso de verba do Gaeco em suposto esquema de escutas clandestinas em MT

Suposto envolvimento do Gaeco foi apontado no depoimento do cabo Gerson Corrêa, que é investigado pelo crime. Foram juntados os telefones de quem não era suspeito de crime algum, numa manobra chamada

17/07/2019 - 12:48 hs

G1/MT


O Ministério Público Estadual (MPE) instaurou processo administrativo, na terça-feira (16) para apurar denúncias de envolvimento do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) em um suposto esquema de interceptações telefônicas ilegais.

A participação do Gaeco foi apontada no depoimento do cabo Gerson Corrêa, que é investigado pelo crime. Segundo ele, verbas secretas do Gaeco seriam utilizadas para manter os grampos.

Durante interrogatório, na terça-feira, Evandro Lesco também citou o envolvimentos de promotores no esquema.

"Promotores solicitaram 'barriga de aluguel' para ouvir pessoas ligadas ao ex-deputado José Geraldo Riva, como a filha dele, hoje deputada Janaína Riva", disse ele em parte do depoimento.

Outro alvo, segundo Lesco, teria sido a mulher do ex-governador Silval Barbosa, Roseli Barbosa quando ela foi Secretaria de Assistência Social.

Reinterrogatório

O cabo Gerson presta novo depoimento na tarde desta quarta-feira (17), à Justiça Militar sobre o funcionamento dos grampos ilegais e os envolvidos no esquema.

Grampos clandestinos

Os telefones foram interceptados com autorização judicial. Os documentos pedindo à Justiça autorização para isso foram assinados pelo cabo da PM, Gerson Luiz Ferreira Correia Júnior, numa suposta investigação de crimes cometidos por PMs.

No entanto, foram juntados os telefones de quem não era suspeito de crime algum, numa manobra chamada "barriga de aluguel".

O caso foi denunciado pelo promotor de Justiça Mauro Zaque. Em depoimento encaminhado à Procuradoria-Geral da República, ele afirmou que, naquele ano, ouviu o coronel Zaqueu Barbosa, comandante da PM à época, dizer que as interceptações telefônicas eram feitas por determinação de Pedro Taques (PSDB).

Zaque alega ainda que levou o assunto ao governador, que ficou constrangido, mas não fez nenhum comentário.

O promotor ainda afirmou que alertado o governador sobre a existência de um "escritório clandestino de espionagem" por meio de dois ofícios. O primeiro chegou a ser enviado para o Ministério Público Estadual (MPE), mas a investigação foi arquivada por falta de provas.

O segundo ofício, que o governador alega nunca ter recebido, foi protocolado na Casa Civil, mas cancelado no mesmo dia e substituído por outro, conforme apontou auditoria da Controladoria Geral do Estado.

Antes do relatório da CGE vir à tona, Pedro Taques chegou a entrar com representação contra Zaque em instituições como o Conselho Nacional do Ministério Público e a PGR, acusando-o de falsificação de documento público.