Eduardo Botelho pede cautela e diz que ainda não se pode falar em 'CPI dos Grampos'

Por Redação 17/07/2019 - 12:11 hs

Gazeta Digital- Thalyta Amaral e Pablo Rodrigo


Presidente da Assembleia Legislativa (AL) de Mato Grosso, Eduardo Botelho (DEM), admite que os fatos revelados pelos militares envolvidos na "Grampolândia Panataneira", de possíveis irregularidades em operações do Ministério Público do Estado (MPE), são graves.

Porém, o chefe do Poder Legislativo pediu cautela aos demais parlamentares, já que uma possível criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos grampos já começou a ser sugerida no Legislativo.

"A pedido da deputada Janaina Riva nós vamos convidar o procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges, para prestar esclarecimentos sobre esses fatos graves que estão vindo á tona. Mas é um convite e não convocação", disse Botelho ao .

Eduardo Botelho acredita que só depois desse convite e dos esclarecimentos do chefe do MPE, que se pode analisar um possível pedido de CPI. "Temos que ouvir com calma, ponderar todas as informações para ver se realmente existe uma necessidade de uma investigação", defendeu.

Apesar dos fatos graves, Botelho defendeu a instituição do Ministério Público, ao afirmar que tais fatos narrados foram feitos por membros do MP, e que isso não pode colocar a credibilidade da instituição em xeque.

"Se houve crime, foi cometido por alguns membros e não pela instituição. E essas pessoas terão que responder conforme a lei. Assim como existem pessoas que cometem ilicitudes em outros Poderes e instituições. E nem por isso podemos colocar em descrédito o órgão todo", completa.

Na terça-feira (16), Janaina Riva (MDB) pediu classificou como "vergonhoso" os fatos revelados pelos militares envolvidos "no caso dos grampos ilegais do ex-governador Pedro Taques".

"Expôs uma banda podre do Ministério Público e que uma instituição que deveria constitucionalmente zelar pelos direitos dos cidadãos, teria patrocinado os grampos ilegais e violado o direito fundamental à privacidade de centenas de pessoas incluindo eu. Os fins justificam os meios? Quem são os mocinhos e quem são os bandidos?", disse a parlamentar em uma rede social.

"A sociedade precisa de uma resposta e que os culpados sejam punidos com a mesma mão de ferro que o MPE usa para acusar aqueles que não fazem parte da instituição", afirmou a parlamentar.

Para o deputado Elizeu Nascimento (DC) o pedido feito pela deputada Janaina não teria necessidade, já que existem investigações do caso na Justiça.

Grampos

Na terça-feira, o ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa, e o ex-chefe da Casa Militar, Evandro Lesco, relataram todo o esquema de interceptação telefônica clandestina no âmbito da Polícia Militar de Mato Grosso.

Segundo os militares, o esquema foi planejado e arquitetado pelo ex-governador Pedro Taques (PSDB) e seu primo, o ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques.

Ainda durante os depoimentos, os dois citaram membros do MPE, que teriam cometido diversas irregularidades, com a utilização de "barriga de aluguel" - quando números de pessoas comuns são listados como se pertencendo a alvos de investigações policiais - em 5 operações do Gaeco, além de supostas irregularidades na chamada verba secreta do Gaeco.